Sobre o casamento

As pessoas continuam se reinventando na tentativa de se adaptar ao novo estilo de vida, substituindo com isso os valores tradicionais por meios modernos na tentativa de sobrevivência social, e individual. Partindo desse princípio, o conceito do casamento tem sofrido sérias readaptações nos ideais em suas formas de conduta – teóricas e práticas, – apelando pra um último suspiro, pressupondo a distância o que teria um dia, se intitulado “matrimônio” inserido num contesto de “até que a morte os separe,” e que atualmente é considerado slogan de contos de fada, longe de um ideal pra vida humana.

Eu não acredito nessa baboseira toda de amor eterno, e de relacionamento feliz e duradouro que seja pra vida toda, daí, eu me deparo com um casal de idosos caminhando na praça de mãos dadas, como se fossem eternos namorados. Então, o meu emocional reage de uma forma completamente contrária ao meu pensamento oposto. Só que aí, como eu sou um ser lógico e racional, o meu cérebro novamente reage num contra-ataque me fazendo refletir, levando ao entendimento que, aquela geração não era a mesma de hoje. Daí, concluo voltado ao meu pensamento anterior, quer dizer, a “estaca zero” da questão, pois a forma – no texto e contexto – de relacionamento que os casais tinham no passado, quando era duradouro e eterno, não é a mesma de hoje; do contrário um namoro, noivado ou, casamento era pensado, articulado e executado a fim de ser eterno enquanto que a morte não os separasse. Nós, da geração atual, vivemos e nos relacionamos com nossos cônjuges superficialmente, a base do teste experimental, do tipo descartável como se fossemos mercadoria com direito a troca e o reembolso, caso não haja satisfação pelo uso do produto adquirido (se não der certo, separa). Com todo esse cenário, nem nos damos conta de quê o que na verdade estamos buscando no outro é uma espécie de “auto-imagem,” ou alguém que nos projete em nosso ego profundo tudo aquilo do qual achamos ver em nós mesmos. Assim, nos esquecemos de nos dedicar ao amor ao outro e de viver em prol o bem estar daquela pessoa amada pensando nela, não em nosso próprio umbigo inflado.

Uma união conjugal é formada por etapas aos quais pulamos, invertemos ou alteramos:

  • Namoro (com poucos beijos, e muito diálogo cujo objetivo é conhecer um ao outro e, além disso, estabelecer um vínculo de amizade profunda e tolerância dualista.)
  • Noivado (com poucos beijos, muito diálogo e planejamentos mais profundos quanto à vida a dois)
  • Casamento (Beijos moderados – sem excesso, diálogo constante – evita discussões e desentendimentos, e sexo regularmente – sem banalizar o ato em si.)

E isso, nossos pais, avós e antepassados faziam da maneira mais correta, não se esquecendo de que um cenário não é composto só do palco, mas também dos bastidores por detrás das cortinas, quero dizer que não basta obedecer somente a cartilha pronta, é necessário atentarmos ao texto, contexto e, entrelinhas pra que nada fique fora do propósito a ser atingido; como sabemos além de uma série de etapas que devem ser respeitadas e seguidas, também a todo um suporte para as mesmas, exemplo:

  • Namorei sem sexo, mantive o diálogo e casei virgem.

Entretanto…

  • Casei, não com o objetivo de não envelhecer sozinho, ou inflar o meu ego me satisfazendo à custa do outro, vivendo não em minha órbita, mas em função do meu amor o qual divide mutuamente suas tristezas, sua história de vida (presente, passado e futuro) e toda a bagagem adquirida ao longo de sua vida sem mim, e comigo ao seu lado.

Fechando o círculo em torno do ideal, encerra então a busca desenfreada e desencontrada pela formula do casamento perfeito.

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